setembro 30, 2010

Mais vale prevenir

Mais vale prevenir….

Este é o dogma inculcado nas mentes dos portugueses e que tanto condiciona o comportamento da maioria, limitando a percepção e a própria acção sobre determinadas realidades. Talvez seja o instinto animal de auto-preservação a falar mais alto, mas eu sempre achei que é a pequenez característica de quem não quer ser o melhor, bastando fazer o suficiente para não ser o pior.

O que motivou este texto foi a reacção generalizada que a proposta do PSD gerou em praticamente todos os estratos da nossa sociedade, em particular junto dos sindicatos de trabalhadores. Foi de um exagero tão estapafúrdio que se chegou a designar essa proposta como “liberalização do despedimento”. Gerou-se o pânico porque havia a menção à possibilidade de se despedir um funcionário através de “razão atendível”. Pois, soe o alarme e vamos reivindicar um direito há muito conquistado: o de fazermos um trabalho medíocre e não podermos ser despedidos por tal. Dificilmente eu me permito ser surpreendido, quanto mais desiludido, pelas acções dos outros, contudo não posso deixar de assumir a perplexidade com que observo as pessoas insurgirem-se antecipadamente pela possibilidade de não realizarem devidamente o seu trabalho e poderem por isso ser despedidas. Será que são assim tão descrentes nas suas capacidades? Será que têm uma auto-estima e uma noção do próprio valor tão baixos, que receiam que esta medida possa ser responsável por perderem o emprego?

Quando vi estas noticias, reportei-me de imediato a um episódio que vivi quando ainda jogador de basquetebol. Joguei durante 11 anos, tendo capitaneado quase todas as equipas por onde passei. No último ano em que pratiquei, num escalão designado de seniores B por ser para atletas até aos 23 anos, presenciei algo que pela primeira vez me alertou para este estado de espírito típico de quem está acomodado. O treinador decidiu reunir a equipa para definir quais as multas a pagar para quem chegasse atrasado aos treinos e aos jogos. Durante mais de 1 hora, assisti incrédulo à batalha negocial entre atletas e treinador, pois como era possível que se tentasse obter um valor baixo o suficiente para compensar chegar tarde. O único interesse não era evitar atrasos, era simplesmente fazer com que não fosse muito caro fazê-lo.

“Não exista satisfação real ou felicidade na vida, sem obstáculos para conquistar e metas para tingir.” Maxwell Maltz

1 comentário:

  1. Muito bom Pedro, sublinho o conteúdo dos teus textos publicados, que tenho por hábito acompanhar.

    Concordo contigo, e se me permites (a título de blog) acrescentaria que o despertar desse tipo de pensamentos está também intimamente ligado a uma egrégora que sobrenada o grupo população geral, e assim, como bola de neve um diz que é 2, o outro multiplica por 2 e diz 4, sendo o limite o infinito e mais além. E como forma de integração grupal, a consonância da critica pára o pensamento e todas as Elas fazem sentido. O estado de hiperconsciência é dessa forma atingido, sublimando o pensamento, sublimando o racional. Isso é apenas uma forma de se atingir o auto-conhecimento. :)

    Um forte abraço,
    Ricardo Vieira

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