julho 15, 2010

Coreografia

A Coreografia – 3ª característica do Método DeRose


Demonstradora: Instr.ª Sabrina Vallar
Fotógrafo: Joel Bessa

É impossível ficar indiferente a uma demonstração de coreografia, pela exigência e beleza que determinadas técnicas possuem, pela destreza e força dos demonstradores, mas também pela envolvência comunicativa e afectiva que se consegue criar.

As demonstrações de coreografia carregam sempre consigo a exposição, e todos os temores que isso arrasta. A influência do púbico, a comunicação que se estabelece com o mesmo acarreta uma forma diferenciada de sentir cada movimento. É mais um ingrediente colocado nesta receita de sensações. Acrescentamos ainda todas as regras para a demonstração, e como tal, torna-se necessário moldar o aspecto criativo às normas estipuladas.

A coreografia, enquanto prática livre, pode funcionar como veículo de projecção para o exterior das nossas emoções. É a forma mais libertadora de vivenciar o corpo, de permitir que ele se expresse. É como quando pomos a música bem alta, e queremos apenas dançar, não como refúgio, mas como fonte de prazer inesgotável, pois provém de nós mesmos.

Pode-se aprender a ver-se a si mesmo através da coreografia, a melhor reconhecer como se sente e a iniciar processos de transformação a partir de cada movimento criado. Ao estudar a figura de Shiva Natarája constata-se que a sua dança impõe o ritmo do universo e que dançando elimina a ignorância do seu trilho de auto-conhecimento. Tal como o mudrá actua numa acção reflexológica, também a coreografia possui essa característica e ajuda a cortar todas as amarras, que nos prendem ao mundo. Despertamos a capacidade de também impor o ritmo do universo, do nosso universo.

De forma a alcançar tal sentimento, temos que nos deixar envolver pelo nosso corpo, pela música e não definir plano algum. O corpo intuirá naturalmente que direcção deve tomar, que posição deve assumir. A característica de auto-suficiência é imprescindível, é o que nos confere segurança em assumirmos a nossa unicidade. O efeito é avassalador. A nossa confiança aumenta, tal como a auto-estima, e isso manifesta-se em tudo quanto fazemos na nossa vida. Edificamos uma estrutura interna tão sólida que não mais temos receio de viver tudo intensamente. Deixamos de nos ver apenas como uma roda da engrenagem do universo, e sentimo-nos mais integrados, capazes de influenciar o mundo que nos rodeia.



julho 06, 2010

Saber perder

Saber perder

Ultimamente esta tem sido uma expressão muito utilizada, e nos tempos próximos – devido ao Mundial – será algo presente em muitas conversas. No contexto do desporto, da competição, torna-se muito simples identificar o momento da derrota e quando nada mais há a fazer para a evitar. Contudo, na vida o árbitro parece nunca dar por terminada a partida e sentimos haver sempre hipótese de dar a volta ao resultado. Será que é assim mesmo? Eu conheço muitos que acenam com a bandeira branca ainda com o jogo a meio….

Durante muitos anos, fui jogador federado de basquetebol e posso afirmar que foi a minha maior escola de vida graças ao permanente espírito competitivo que era gerado. Tive a sorte de pertencer a uma geração de vencedores, que comungavam da mesma atitude guerreira. Talvez seja essa a razão que me leva a nunca ter aprendido a perder. Enquanto capitão de equipa que sempre fui, sabia adoptar um comportamento digno de um desportista e sempre respeitei todos os elementos envolvidos no jogo. Mas, essa máscara que adoptava não servia para apaziguar o fogo de emoções que me consumia ora pela culpa assumida, ora pela impotência em atingir o resultado desejado. Quando em desportos individuais, ou em situações em que a vitória apenas dependia de mim, era incontornável deixar transbordar as emoções e reclamava, insultava…tudo resultado da frustração que sentia e da dificuldade em aceitar que nada podia fazer. Percebia, no entanto, ser algo dirigido a mim. Talvez ainda hoje seja um pouco assim.

Sempre procurei contrariar essa minha reacção, e no desporto colectivo conseguia fazê-lo, mas nunca aprendi a perder. Isso fez-me pensar… Seja qual for a actividade, seja qual for a tarefa a realizar, nós aceitamos que há uma fase de aprendizagem na qual os erros são parte integrante do processo de crescimento e de adaptação. É o que mais rapidamente desenvolve no indivíduo a iniciativa a realizar melhor. Logo, temos que repetir, repetir até ficar bem feito. Com a derrota será o mesmo? Teremos que perder e perder até sabermos fazê-lo? Se sim, então não será barco onde quero entrar.

É precisamente a aceitação da derrota que nos leva a viver a nossa vida atribuindo culpas aos outros e adiando assumir a responsabilidade de mudarmos as coisas que não estão de acordo com os princípios de vitória que queremos alcançar. É a razão para muitos deixarem o jogo a meio.

“Guerreiros vitoriosos garantem primeiro a vitória e depois vão para a guerra, enquanto os guerreiros derrotados vão para a guerra e depois procuram a vitória” Sun Tzu