maio 17, 2010

Rico Governo


Rico Governo

Desde sempre que se observam conflitos de gerações. As inúmeras adaptações e constantes mudanças que a cultura vai sofrendo, leva a que o seu veículo de disseminação – a Educação – provoque choques de interesses, pois tende a observar-se diferentes perspectivas de uma mesma realidade. Como consequência desse fenómeno social, os conflitos produzem progresso ou decadência de valores e costumes. Não são assim necessariamente maus! A atribuição de um juízo de valor, está por isso dependente do resultado final. No entanto, temos assistido à resistência de inúmeros valores morais ao longo destes tempos que se tornaram pilares de uma convivência social tolerável. Contudo, observo que estamos cada vez mais perto do abismo e receio não haver forma de evitar este descalabro.

Esta ruína apresenta-se como inevitável, a partir do momento que os nossos governantes são os primeiros a descumprir com as normas sociais e a revelar um comportamento de total desrespeito para com o outro. Quando perante um governo que, em altura de eleições, varre a sujeira para debaixo do tapete para iludir o eleitorado desprotegido; que assume um papel de vítima, acusando tudo e todos pelos seu insucesso e suplicando por auxilios como um drogado para manter o seu vicío, onde apenas alimenta a sua própria inércia; que utiliza um comportamento cínico e hipócrita procurando apenas o descrédito dos que falam a verdade; que pune quem se insurje contra os seus membros; então não há terra à vista. Esta postura que se arrasta à população em geral, e que se começa a sedimentar em todos os escalões da nossa sociedade, não faz jus ao que somos. Sempre fomos educados a observar no exemplo dos nossos antepassados, a força do povo português que contra qualquer intempérie sempre arranjava forma de vencer. Somos um povo destemido e que orgulhoso não receia olhar nos olhos de ninguém. Sabemos que é feio ficar a dever, e que somos responsáveis por aquilo que fazemos aos outros. Gostamos que olhem para nós com respeito e admiração e não que nos apontem o dedo por não agirmos em consonância com o que dizemos.

Atingimos um estado de sítio onde a lei da sobrevivência impera, é a altura do mata-mata, onde o outro é um opositor ao que se procura alcançar. Onde a meta proposta estará tão mais próxima quantos mais eu derrubar. É preciso uma revolução de valores urgente para que possamos reerguer-nos como individuos dignos.

Por conta de sermos uma democracia e executada pelo povo, somos uma nação que tem de manter um governo de quatro anos, não importando o que ele faz. Pergunto: Onde está a justiça nisto?

1 comentário:

  1. Olá Pedro.
    Desde já os meus parabéns pela tua tão boa forma de escrever e pela pertinência dos temas que suscitas.
    Apesar de já ter lido alguns dos teus artigos publicados e os ter postulado de bastante interessantes, só agora no entanto iniciei a redação de um comentário, dum feedback.
    Em relação a este artigo, concordo plenamente contigo. Penso que este tema é de todo delicado, muito complexo. Na sociedade actual (em geral) as pessoas procuram o seu lado sombrio dos acontecimentos, inconscientemente justificam o estado actual do sistema desprovidas de qualquer informação concreta. A lógica é perspectivada com base em criticas aos governantes, criticas aos valores, criticas e mais criticas, alimentadas pelo vizinho do lado, pelas amigas do chã, pelo grupo de trabalho. Criticas essas nulas de acção, que encontram apenas energia no eco do vizinho e cultivam a sociedade de geração em geração com um efeito aparentemente crescente.
    No entanto, penso que grande parte da sociedade se encontra presa numa realidade da qual não se consegue libertar. E isso é constrangedor, e promove esse espírito a que me refiro em cima. A sociedade, o povo, é controlado inconscientemente por um grupo de pessoas, os grupos de TOP, que promovidos de poder (o dinheiro) controlam a grande maioria da sociedade através de dividas por créditos, por métodos subtis, mas eficazes.
    A propósito, recomendo um documentário interessantíssimo sobre uma perspectiva do estado actual do mundo. Chama-se “ZEITGEIST, the movie” (disponível no Youtube (são 2 vídeos)). Nesse documentário é descrito, de uma maneira espectacular, o estado actual do mundo. Ganhou um óscar pelo seu conteúdo. Foca o tema da religião, o poder político, o poder bancário, importância de guerras, etc. Acho que vais gostar. Acho que todos o deviam pelo menos ver 2 a 3 vezes. 
    E não me crendo alongar mais no feedback, concluo salientando, que na minha opinião, o possível caminho a seguir é o de um estado mais consciente, “hiper-consciente” como assim o permite o Yôga. Há uma frase bastante interessante que refere que para aprender é necessário por vezes desaprender, e de facto por vezes deve ser assim. E penso que essa hiper-consciência será atingida tanto mais rápida, quanto mais fomos possuidores de uma compreensão de como somos influenciados pelo exterior, como somos controlados pelo mundo, numa libertação gradual e constante para o nosso verdadeiro SER.
    Swásthya 
    Um G. Abraço!
    Ricardo Vieira

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