abril 16, 2010

Ser-se e parecer-se


Ser-se e Parecer-se

Nesta última semana entrei num período de nostalgia. Comecei a recordar os tempos de escola, revivendo episódios que me marcaram para a vida. E, como é bom esse sentimento que parece ligar-nos profundamente a pessoas que talvez nunca mais se cruzem connosco.

Neste regresso ao passado, lembrei-me de como procurávamos adoptar um comportamento observado nos outros como forma de nos integrarmos num determinado grupo. Fazia parte do historial da escola, saber onde ficava cada grupo, que características próprias tinham que os destacava dos outros e como a convivência inter-grupal era quase impossivel. Todos sabíamos que para nos darmos com determinadas pessoas, teríamos de parecer essas pessoas. Desde o vestir, aos gostos pessoais, às companhias…tudo era determinado pelo grupo.

À medida que crescemos, entramos num outro universo académico que nos impele a uma nova adaptação. Dali, entramos no mercado de trabalho e a profissão ditará novo crescimento. Até o local e o clima de trabalho contribuem para envergarmos uma nova máscara. Máscara que em latim se traduz como persona. A média ponderada de todas estas experiências define a nossa personalidade, que tende a revelar-se cada vez mais. É a essa a razão que torna mais dificil a adaptação à medida que envelhecemos, mas é acima de tudo o que nos leva a agir em maior concordância com o que pensamos. Adquirimos maior consciência própria e conquistamos independência do grupo.

No entanto, mesmo na idade adulta, sentimo-nos muitas vezes impelidos a agir contra aquilo que sentimos ser mais certo. Ora por pressões externas – trabalho, familia, amigos – ora por pressões internas – solidão, ansiedade, concretização de necessidades básicas. É normalmente consequência de ausência de novas opções. Quando achamos que só possuimos aquela escolha. A nossa assertividade, enraizada no nosso sentido crítico e estabilidade emocional, será a ferramenta de maior utilidade para a nossa consciência saber como preservar a individualidade e entregar-se plena e totalmente a tudo o que faz.

Não deixarmo-nos levar apenas pela corrente, mas sermos a própria corrente.

1 comentário:

  1. Na maior parte dos casos, penso que a falta de convicções nos próprios e a perda de perspectiva no futuro são os principais culpados deste "estado constante das coisas". É difícil mudar, e é muito mais complexo mantermos os nossos princípios, quando tudo à nossa volta muda; mas mantenham-se atentos ao "estado de sítio" em que nos encontramos, porque a nossa indiferença vai fazer-nos perder o rumo...

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