outubro 08, 2009

Politicas


Politicas

Sempre fui um indivíduo interessado pela política, de tal forma que a minha mãe não se cansa de contar que, quando eu era bem novo afirmava querer ser primeiro-ministro. Achava imensa piada às discussões que assistia, atraía-me o destaque que era dado aos políticos e despertava em mim alguma inveja a forma como faziam as pessoas ouvi-los. Contudo, reconheço agora que o maior fascínio residia no presumível poder que aparentavam ter.

À medida que fui amadurecendo e construindo uma noção mais abrangente e correcta da realidade, o encanto desvaneceu. Percebi que as discussões eram inúteis. Uma discussão inicia-se por haver pontos de vista diferentes, mas deve ser dada a margem para que a argumentação utilizada por todas as partes torne plausível a aceitação das ideias. Se a barreira colocada entre todos é intransponível, de que adianta trocar ideias? Qual o sentido que existe em discutir? Choca-me, ainda hoje que determinadas acções possam ser recriminadas, apenas porque surgem numa força política contrária aquela que se defende. Serão realmente estes os homens que devem governar um país? Homens intolerantes que não suportam que se pense diferente, que são inflexíveis quanto aos seus ideais não colocando a hipótese de mudar a sua perspectiva sobre um determinado assunto?

Tudo parece um circo desmedido em actuações e encenações, visando entreter uma plateia que se deixa iludir com o poder de voto que lhes é conferido. Dividem-se nos elogios e nas críticas, nos aplausos e nos apupos, olhando a arena central repleta de figuras que se digladiam por uma onça de poder, sem olhar a meios falaciosos aplicados em discursos escritos por outros com o intuito de deleitar as massas. São tantos os lobbys, são tantas as pressões, é tanta a necessidade de se agradar, que por vezes perde-se o discernimento e o respeito próprio, mas principalmente o respeito pelos outros.

Foi um choque tão grande, que demorei sete anos para me recensear. Intimamente assumia como um grito de revolta, e afirmava a intenção de me manter fora da arena. Mas, também não é solução! A solução é exercer o direito que temos, sem perder voz própria, e mantendo sempre a clarividência para aceitar que não sabemos tudo. Se estivermos dispostos a aprender uns com os outros, talvez a sinceridade e a transparência se tornem as qualidades dos políticos do séc. XXI.

“A democracia é um dispositivo que garante que seremos governados não melhor do que merecemos.” George Bernard Shaw

1 comentário:

  1. Também eu me desiludi quando liguei uma vez para o canal da assembleia e em vez de um debate construtivo, deparei-me com um circo!

    ResponderEliminar