julho 15, 2009

Dancem!


Dancem!

Desde que me lembro, a dança sempre foi um dos meus maiores fascínios. Sem querer parecer aqueles cantores que já o eram ainda antes de nascerem, é legitimo afirmar que danço desde que me conheço. É algo indescritível e quase mágico o momento em que nos despimos de preconceitos e condicionalismos, e nos permitimos a deixar que o nosso corpo actue livre como eco da música que ouve.

Por ser algo tão forte e expressivo em mim, sempre assumi que toda a gente reagiria de igual forma ao estímulo gerado pela música. Afinal, quem consegue evitar o bater do pé quando no carro ouve uma música mais mexida? E, quando este pequeno interruptor é accionado, quem controla o corpo que quer mexer, a voz que quer cantar? Quando mais novo, sempre vi na figura do meu pai, alguém que se tornava transparente com a música, que não se inibia de dançar, de cantar. E a sua expressão facial denunciava facilmente quão bem ele se sentia. Talvez tenha sido essa, a minha maior influência para encontrar o mesmo prazer. Mas, quanto mais crescia, e mais gente conhecia, mais observava que não era tão comum esse tipo de comportamento. Isso levou-me a indagar sobre que razão existiria para haver tanta gente que não dançasse. Inicialmente, justificava com a afirmação de que não teriam ainda descoberto o ritmo, o estilo musical que se ajustasse aos seus gostos, mas…ainda que essa causa tem a sua influência, a principal explicação reside no facto de as pessoas se inibirem. Mentalmente, colocam toda uma série de barreiras que as impede de agirem livres e em conformidade com as suas emoções, então reprimem-se. Essas barreiras são essencialmente resultado do receio do julgamento alheio, da crítica ou recriminação dos outros. Daí que seja no chuveiro, ou no carro, que as pessoas mais se libertem e consigam cantar e dançar apenas como forma de se expressarem.

Deixo-vos um pequeno desafio: despendam alguns minutos tentando expressar em palavras o que é a dança para vocês, depois partilhem com um grupo de amigos as conclusões a que chegaram. O resultado que encontram traduz a impossibilidade de expressar este conceito, pois é inteiramente subjectivo, logo que lógica existe em tentarmos buscar a aprovação dos outros? Deixem que a dança seja uma nova linguagem, uma nova forma de comunicar com o mundo que revele aquilo que são: únicos.

No bom, no mau, e em tudo o que está no meio, dancem. Será o maior presente que podem oferecer-vos.

2 comentários:

  1. Como diria Nietzche, só posso crer num deus que saiba dançar! bjinhos

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  2. O difícil é perceber que a dança traduz vida. Superado isso, não mais é possível inibir a vontade do corpo de mostrar o que é a felicidade! Dançar passa a ser tudo! :) Bjinhos
    htt://www.entusbrazos.fr

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