junho 16, 2009

Mafalda


Mafalda

Este domingo fui visitar a feira do livro na cidade do Porto, com o intuito de comprar os livros da “Mafalda”. Estou certo de que alguns de vocês se recordarão desta banda desenhada criada em 1964, por um escritor argentino de seu nome Quino. Já quando criança, eu lia estes cartoons, talvez achando mais piada aos desenhos do que aos textos, mas agora encontro um novo sentido.
Para quem não conhece, a “Mafalda” é uma menina de seis aninhos que recusa o mundo como ele é, reportando a culpa desse facto à geração dos pais que o adulterou. O autor usa de uma subtileza tremenda para inferir críticas sociais, aproveitando-se da inocência e sarcasmo característico das crianças. Mas, o que mais me fascina é ver como tudo o que é visado, continua a fazer sentido nos nossos dias. Nem mais de 40 anos de história, de evolução, conseguiram mudar paradigmas e atitudes tão vincadas na nossa sociedade.

Na década de 60 e inícios da década de 70, a Argentina vivia uma enorme crise financeira, que teve a sua origem numa sucessão de mudanças governativas, com revoluções, ditaduras… Uma crise que afectou, em maior escala, a classe média aumentando exponencialmente as diferenças entre as classes sociais. Hummmm!? Se excluirmos a origem da crise, parece-me algo que tenho ouvido bastante ultimamente. No mesmo período, assiste-se à guerra do Vietname, ao conflito israelo–palestino, a um clima de tensão mundial (na altura designado Guerra-Fria), conflitos bélicos iminentes com países a esconder o seu arsenal militar, a actuação dos EUA como polícia do mundo… Chegamos ao século XXI, e o que encontramos: o conflito israelo-palestino persiste, vive-se um clima de pânico instalado receando atentados, os EUA invadem um país com a justificação de que produzem armas de destruição maciça, dando inicio a um novo conflito bélico, e a crise…a crise atravessou o equador, alojando-se nos países do norte, europeus e norte-americanos.

Torna-se óbvio que não possamos agir como a Mafalda e recusar este mundo, nem atribuir culpas, pois daí nada resulta, mas talvez podemos ver as coisas por um outro prisma. Desenvolver uma óptica não tão negativa, mas suportada pela boa disposição, e quem sabe não se encontram as soluções!?

“Não podemos resolver problemas, usando a mesma forma de pensar que usamos quando os criamos” Albert Einstein

Sem comentários:

Enviar um comentário