maio 28, 2009

A relação intra-pessoal


A relação intra-pessoal

Inúmeras vezes, as escolhas que tomamos, e aquelas que vemos outros tomarem, parecem totalmente ilógicas e desfasadas de sentido quando perante as consequências do acto de escolha. Quantas vezes não se recriminaram por determinada decisão, após observarem o resultado da mesma? E até, quando outros nos aconselhavam a seguir noutra direcção, nada nos demovia do que havíamos determinado, só restando uma pessoa a quem culpar pela situação: nós mesmos! Podemos assim considerar, que o que nos impede de acertar em cada escolha tomada, é a imprevisibilidade do futuro.

Mas, permitam-me acrescentar uma nova variável, também ela extremamente responsável por escolhas menos acertadas: a ignorância. A realidade restringida ao que nos rodeia, aos exemplos que detemos. A dificuldade em ver para além do que está instituído como comum. Até mesmo quando sonhamos, no sentido de determinar o que desejamos, estamos condicionados à realidade que conhecemos. Somos produto de uma série de influências que o mundo nos proporciona, e sempre deixamos que assim persista.

Quando a Natureza à nossa volta nos mostra, amiúde, algo que contrabalança o que é vulgar, anunciando-nos que nem tudo é ainda conhecido (e mesmo o que é, está sujeito a transformações), porque persistimos em refrear o impulso de revelar o que nos torna a todos diferentes? Quantos de nós, enquanto crianças, sonhávamos ser algo diferente e vimo-nos ser demovidos dessa realidade porque afirmavam-nos não ser possível? Desde muito cedo, vemos ser travado o sentimento que nos move à diferença, e consequentemente desenvolvemos um comportamento que busca a via mais fácil de aceitação: tornarmo-nos “normais”. Normal dentro do padrão que a sociedade estabelece. Demove-se uma criança de querer ser cantora ou Presidente da República, porque não encaixa nos padrões “normais”. Recrimina-se alguém por ter uma orientação sexual diferente, apenas porque não é vulgar. É óbvio, que muitos refutam já o que eu afirmo, dizendo que o mundo está a mudar. E eu concordo! Talvez já não exista tanta descriminação. Mas, como se explica que num mundo cada vez mais aberto e condescendente, exista um número cada vez maior de doenças do foro emocional, como a depressão? Talvez os padrões não estejam a desaparecer, mas apenas a transformarem-se…

Para mim, a resposta é simples: não busque restringir a sua individualidade para ser normal, não busque rebelar-se contra os padrões para não ser normal; busque em si, o comportamento mais sincero, genuíno e autêntico. Sonhe além do que vê, guiado pelo que sente.

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